As informações sobre saúde contidas neste site não pretendem substituir a consulta ao profissional médico. Cuidar-se de forma preventiva é sempre a melhor forma de preservar sua saúde.
Dra. Teresa Monteiro Teixeira Cardoso é otorrinolaringologista e pós-graduada
em medicina estética.
Bastante comum, a rinite é uma inflamação da mucosa nasal, que reveste desde a parede do nariz até os seios da face. Qualquer alteração nessa cavidade ou obstrução desses componentes do organismo pode gerar a rinossinusite, popularmente conhecida apenas como sinusite. Dentro do nariz existe o corneto, responsável por purificar, aquecer e umidificar o ar que respiramos. Alterações externas como de temperatura ou poluição do ar, e internas - emocional, estresse e alergia -, afetam diretamente esses cornetos, podendo provocar a rinossinusite.
O estresse é um dos fatores que mais atacam. De acordo com a otorrinolaringologista Teresa Monteiro Teixeira Cardoso, pós-graduada em medicina estética, quando a pessoa está estressada, lança na corrente circulatória uma descarga de substâncias tóxicas, como adrenalina acetilcolina, que provocam a vasodilatação periférica, fazendo aumentar o corneto. "O corneto é um órgão cheio de vasos, necessários para aquecer o ar que respiramos. Ao inchar, ele gera o problema de obstrução nasal. A hora que entope o nariz é que surgem todos os outros problemas, dando a famosa sinusite", disse a médica, proprietária da Otorrino Clínica e Clínica Cyclus.
Segundo ela, a sinusite não é uma rinite, mas é acarretada por ela, porque ao ocorrer a inflamação dentro do nariz, o óstio do seio etmoidal e frontal se fecha e o ar não penetra. "Esse ar tem que penetrar na expiração. Quando a gente expira é que vai entrar o ar, o oxigênio, nessas cavidades ocas dentro da face. Essa entrada de ar é obrigatória na expiração e quando isso não ocorre, acaba desenvolvendo uma sinusite. Isso é comum, por exemplo, depois de uma gripe que não foi bem recuperada e, com certeza, vai desenvolver uma sinusite pós-gripal."
Estágios da sinusite
A rinossinusite é uma doença que passa por vários estágios, mas tem cura. A pós-gripal, por exemplo, é aguda, mas é inicial. Existem as sinusites recorrentes, quando a pessoa sente as dores da sinusite várias vezes durante a vida, mas necessita de uma pesquisa mais aprofundada, porque não se trata de uma simples alteração. "É preciso verificar por estudos anatômicos realizados dentro do nariz, se há desvio de septo no osso nasal, mais comum do que se imagina. São várias obstruções que podem alterar, além do problema da rinite. Por exemplo, quando há mudança de temperatura. Nosso organismo está acostumado a viver entre 18 e 24 graus e quando passa dessa temperatura, acontece uma alteração, um inchaço nessa mucosa, o que pode facilitar o fechamento desses óstios ou o crescimento do corneto, aumentando a possibilidade do ar não ventilar os seios da face e desenvolver uma sinusite", explica Teresa Cardoso.
Para a sinusite crônica, a cura é cirúrgica. Essa alteração crônica pode estar acompanhada de todos os distúrbios do nariz, como rinite alérgica, inflamações nasais constantes, desvio de septo, alterações anatômicas da região. O tratamento existe, mas é necessária a intervenção cirúrgica para dar à narina a aeração nasal.
O fundamental para um tratamento da sinusite é a facilitação da entrada de ar pelo nariz, segundo a otorrinolaringologista. "Temos três camadas de ar que entram pelo nariz: a superior, a média e a inferior. Qualquer mudança vai promover um turbilhonamento do ar dentro do nariz: ele entra, mas volta e não sai; não ventila os seios da face e ocorre a sinusite."
Teresa esclarece que muita gente se engana ao pensar que a rinite necessariamente irá desenvolver uma sinusite. Isso pode ocorrer apenas se houver uma complicação da rinite. "Não é qualquer dor de cabeça que vai desenvolver sinusite. Atendo todos os dias cerca de cinco pacientes se queixando de sinusite, quando é apenas uma rinite com inflamação no óstio nasal e que não irá desenvolver sinusite se for tratada. Cerca de 70% das dores de cabeça que chegam ao consultório não são sinusites, são apenas obstruções momentâneas do óstio do seio da face por causa da rinite."
Sintomas
A primeira coisa a observar para se detectar a ocorrência de uma rinossinusite, é a existência do muco catarral, que é expelido quando a pessoa assoa o nariz, pela rinofaringe, é como uma gosma que fica entre a garganta e o nariz e pode provocar dor de cabeça, tosse e raras febres. No início, esse muco é transparente, mas com o tempo vai ganhando uma aparência mais consistente e mudando de cor. Nesse caso, a pessoa já está com sinusite e precisa tomar antibiótico. "Esse muco pode ser confundido com a gripe no início, mas se passar de sete a 10 dias e continuar a secreção é sinusite, mesmo que a pessoa não tenha dor", afirma a médica, acrescentando que algumas pessoas podem apresentar apenas tosse, porque conseguem drenar o muco catarral por trás da garganta.
A sinusite pode ocorrer dos dois lados da face, mas normalmente suas dores são unilaterais, na região etmoidal ou frontal do maxilar e cerca de 90% das vezes a dor no maxilar reflete também na nuca.
Na criança a sinusite só provoca tosse e obstrução nasal, porque os seios maxilares ainda não estão desenvolvidos. Elas podem apresentar sinusite com mais facilidade do que os adultos, mesmo porque não existe uma idade definida para que o problema tenha início. A partir de dois anos de idade, a pessoa pode começar a sofrer as alterações. "Por isso é importante procurar um médico para fazer uma pesquisa quando a criança começa com tosse repetitiva e obstrução nasal."
A dor provocada pela rinossinusite vai depender das terminações nervosas e da anatomia de cada nariz. Teresa afirma que muitos pacientes não sentem absolutamente nenhuma dor, mas esse quadro é ainda mais perigoso. "Nesse caso, ele não procura o médico e quando procura pode até já estar com uma sinusite crônica", alerta a especialista.
Na população mundial, 95% têm alterações na mucosa nasal. "É um absurdo atualmente, mas tudo isso é provocado pelas agressões ao meio ambiente e por isso ninguém está livre desse problema", comentou Teresa.
Ela ressalta que profissionais que trabalham em indústrias metalúrgicas e químicas, como há muitos em Piracicaba, estão mais propensos a ter o problema, pois ferem constantemente a mucosa nasal. O fato de a cidade ter um clima de mudança constante de temperatura - muito frio ou muito calor - também contribui para o desenvolvimento dos sintomas.
O que fazer
De imediato, a primeira coisa é usar descongestionante tópico e um sistêmico anti-inflamatório. Os dois remédios vão aliviar porque desobstruem o canal nasal. O tópico, porém, pode causar dependência se usado por mais de 10 dias.
Colocar uma compressa quente no local ou fazer inalação é recomendável também para aliviar a dor, porque ajuda a diminuir o edema. "Mas é uma solução momentânea", informa a médica.
Procurar um especialista no assunto é imprescindível para um diagnóstico adequado do problema. Um dos mais modernos é a nasolaringofibroscopia: uma fibra ótica é colocada dentro do nariz e permite ao médico verificar a mucosa nasal até o seio maxilar etmoidal e frontal e esfenoidal.
"Hoje temos esses aparatos mais modernos que permitem detectar a presença dessa secreção, mesmo quando não há reclamação do paciente. É possível detectar se ele terá problemas mais tarde e se evitar as complicações da sinusite no futuro", disse a médica Teresa Cardoso.