As informações sobre saúde contidas neste site não pretendem substituir a consulta ao profissional médico. Cuidar-se de forma preventiva é sempre a melhor forma de preservar sua saúde.
Dr. Gilberto Henriques Netto
médico ginecologista e obstetra
Camisinha sempre!
O Carnaval é época de intensificação das campanhas informativas sobre a Aids e as demais DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Para preveni-las e evitar transtornos, como uma gravidez não programada, o preservativo (camisinha) ainda é o melhor método. Entre as DSTs mais comuns estão gonorréia, sífilis, cancro duro, herpes, linfogranuloma venéreo, além da Aids. Podemos apontar outras doenças menos informadas, que também podem ser transmitidas por contato sexual. É o caso da vaginose bacteriana, as hepatites A e B e o HPV entre outras, que também merecem atenção e cuidado, porque podem deixar graves seqüelas, segundo o médico ginecologista e obstetra Gilberto Henriques Netto, da Amhpla Cooperativa de Assistência Médica. "A multiplicidade de parceiros, sem uso de preservativo, leva a grandes riscos de exposição às DSTs, que além de risco de enfermidades letais, podem ocasionar quadros de infertilidade", afirma.
A maioria das doenças sexualmente transmissíveis é altamente sintomática e, ao contrário do que pode parecer, um grande problema é a rapidez da melhora logo no início do tratamento. Como os sintomas diminuem rapidamente, muitos pacientes acabam abandonando o tratamento por julgarem já estar curados e também deixam de retornar ao médico para fazer o controle objetivo de cura. "A partir do momento que o paciente não sente o sintoma, ele acredita estar totalmente curado, mas nas DSTs é fundamental esse controle de cura, com exames que a comprovem, porque o paciente pode se tornar portador crônico, sem sintoma ou levemente sintomático, transformando-se em uma fonte de disseminação", alerta o médico.
Muitas DSTs têm sintomas comuns e tratamentos diferentes e específicos. Deve-se ficar alerta aos sintomas que, no homem, são ardor para urinar, vontade constante de urinar e corrimento ureteral. Já a mulher pode apresentar corrimento, dor vaginal, coceira e ardor durante a relação sexual. Ao identificar esses sinais, é preciso procurar o médico o mais rápido possível.
Em geral, o médico opta por indicar o uso de antibióticos, cremes vaginais, remédios para dor, febre, cólica. O tratamento normalmente é curto, não é dispendioso e de forma alguma o paciente deve seguir orientação de leigos, como balconistas de farmácia.
Henriques Netto reforça: "a pessoa nunca deve sentir vergonha de falar sobre seu problema com o médico, que está habilitado para prescrever o melhor tratamento de acordo com a doença. Sem orientação médica e tratamento adequado, a doença pode piorar, levando o paciente à morte."
Atenção
Entre as DSTs menos conhecidas, está a vaginose bacteriana, que provoca coceira, corrimento, dor pélvica e durante a relação sexual, além de, em fases mais avançadas, apresentar quadros de infecções mais graves. O corrimento vem amarelo ou branco-acinzentado, com um cheiro forte de peixe, que piora durante as relações sexuais e na menstruação. Trata-se de um desequilíbrio vaginal, que pode estar associado às relações primeiro anais e depois pela vagina. Por isso, é preciso trocar as camisinhas para cada penetração.
O homem portador de uma uretrite - doença que provoca ardor para urinar e corrimento ureteral -, pode transmitir infecções vaginais à mulher.
O HPV é um vírus capaz de provocar lesões de pele ou mucosa - verrugas genitais - estando intimamente relacionado com o desenvolvimento do câncer do colo uterino. Uma novidade é que já é possível encontrar a vacina contra o HPV. Pergunte ao médico.
A hepatite A é uma doença do fígado altamente contagiosa e algumas vezes fatal, contraída por cerca de 1,4 milhões de pessoas no mundo. A infecção pode causar uma série de sintomas, desde leves, assintomáticos, até levar à morte. Os mais comuns incluem febre, calafrios e sensação de fraqueza generalizada. Henriques explica que a hepatite A é uma doença na maioria das vezes de evolução benigna. Já a hepatite B pode, em alguns casos, ter uma evolução fulminante ou tornar-se crônica, levando o paciente à cirrose e, com o tempo, à insuficiência hepática. A hepatite A é transmitida na forma fecal-oral e a B, por secreções, saliva, sêmen, líquido vaginal ou sangue.
"É muito complicado falar sobre DSTs, porque nem sempre as transmissões dependem exclusivamente da penetração, considerando que o ato sexual não se limita a isso", disse Henriques. "É preciso que as pessoas se conscientizem da necessidade de fazer exames periódicos e manter cuidados básicos com a saúde nos relacionamentos. Entre esses cuidados, é fundamental o uso de camisinha de boa qualidade sempre e manter em dia a vacinação contra hepatite B, especialmente em adolescentes", salienta o médico.
Cancro Mole. É caracterizada por pequenas feridas (com pus) que aparecem dois a cinco dias após a relação sexual, na ponta do pênis ou na parte externa da vagina e ânus.
Candidíase. Infecção por fungos, popularmente conhecida como "sapinho", se manifesta preferencialmente nas mulheres e provoca corrimento, coceira e ardência, além de dor durante a relação sexual. No homem, aparece na glande e prepúcio como pequenas lesões avermelhadas.
Condiloma. É uma infecção que causa lesões frequentemente pequenas com possibilidade de desenvolver o câncer do colo do útero e vulva e, mais raramente, câncer do pênis e também do ânus. Ocorre geralmente na glande, prepúcio, uretra, vulva, períneo, vagina e colo do útero formando verrugas.
Gonorréia. Doença infecto-contagiosa (com risco de transmissão superior a 90%) que causa coceira, ardência e pus na uretra e vagina. Pode ocorrer febre e, na maioria dos casos, em mulheres os sintomas são mais brandos ou ausentes.
Hepatite B. Infecção do fígado que pode ficar escondida e progredir rapidamente até à morte. Os sintomas são falta de apetite, febre, náuseas, vômitos, astenia, diarréia, dores articulares e icterícia (amarelamento da pele e mucosas). A transmissão ocorre pelo sangue, sêmem, secreções vaginais e, às vezes, saliva.
Herpes Genital. Infecção que aparece e desaparece com freqüência, precedida por vermelhidão local, em forma de pequenas bolhas, que viram feridas dolorosas e se cicatrizam espontaneamente.
Linfogranuloma Venéreo. Ferida ou elevação da pele genital, inicialmente de curta duração que, geralmente depois de duas a seis semanas, faz surgir uma inchação dolorosa dos gânglios de uma das virilhas. Se não for tratada adequadamente, rompe-se espontaneamente e expele pus.
Pediculose do Púbis. Também conhecida como Chato, é a infestação da região pubiana por piolhos, causando intensa coceira, que se espalha desde o ânus e coxas até, eventualmente, sobrancelhas e cílios.
Sífilis ou Cancro Duro. É a uma doença infecto-contagiosa sistêmica que pode comprometer pele, olhos, ossos, sistema cardiovascular e sistema nervoso. A lesão pouco ou nada dolorosa tem base endurecida, lisa e brilhante; expele uma secreção transparente pelos grandes lábios, vagina, clitóris, períneo, colo do útero, glande e prepúcio.
Aids é causada pelo vírus HIV, que impede a defesa do organismo humano contra bactérias, outros vírus, parasitas e células cancerígenas e pode levar à morte. É transmitida através do sangue, sêmem, secreções vaginais e leite materno, e o período de incubação varia de 3 a 10 anos.